Siddhartha.
"Era de modo diferente de outrora que a essa altura pensava sobre as criaturas humanas. (...) Quando conduzia passageiros ordinários, homens tolos, negociantes, guerreiros, mulherio, esses seres já não se lhe afiguravam estranhos. Ele os compreendia. Compreendia a sua existância jamais orientada por raciocínios e percepções, senão exclusivamente por instintos e desejos. (...) Sentia-se igual a eles. (...) A vaidade, a cupidez, o ridículo que os dominavam perdiam para ele a sua comicidade, encontravam explicação (...) O amor cego que a mãe tributasse ao filho; o orgulho estúpido, obcecado, de que um pai presunçoso se enchesse em face do filhinho único; o desejo desvairado, furioso de possuir jóias, de ser admirada pelos homens - todos esses instintos, todas essas infantilidades, ambições e ânsias, impulsos simples, irracionais, porém invencíveis na sua desmedida força e na sua pujante vitalidade, cessavam de apresentarem-se aos olhos de Siddhartha como criancices. Chegava ele a entender que os seres humanos viviam em função dessas coisas e justamente elas os capacitavam para proezas incríveis, permitindo-lhes fazer guerras, empreender viagens, suportar tudo e resistir a sofrimentos sem fim." Hermann Hesse.
"Era de modo diferente de outrora que a essa altura pensava sobre as criaturas humanas. (...) Quando conduzia passageiros ordinários, homens tolos, negociantes, guerreiros, mulherio, esses seres já não se lhe afiguravam estranhos. Ele os compreendia. Compreendia a sua existância jamais orientada por raciocínios e percepções, senão exclusivamente por instintos e desejos. (...) Sentia-se igual a eles. (...) A vaidade, a cupidez, o ridículo que os dominavam perdiam para ele a sua comicidade, encontravam explicação (...) O amor cego que a mãe tributasse ao filho; o orgulho estúpido, obcecado, de que um pai presunçoso se enchesse em face do filhinho único; o desejo desvairado, furioso de possuir jóias, de ser admirada pelos homens - todos esses instintos, todas essas infantilidades, ambições e ânsias, impulsos simples, irracionais, porém invencíveis na sua desmedida força e na sua pujante vitalidade, cessavam de apresentarem-se aos olhos de Siddhartha como criancices. Chegava ele a entender que os seres humanos viviam em função dessas coisas e justamente elas os capacitavam para proezas incríveis, permitindo-lhes fazer guerras, empreender viagens, suportar tudo e resistir a sofrimentos sem fim." Hermann Hesse.

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